terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Flor de mim

A minha flor nasce de palavras recolhidas
Na terra arada e revolvida com as mãos essa flor não tem nome
E será que virá a ser útil?


Do que me servirão
Estas palavras caídas que também evaporam?
E eu com a saia do vestido
Recolho o denso sangue que escorre destas palavras de fechadas pálpebras

Com a idéia fixa
Germinando idéias e bichos que saem do papel
Exala ainda do meu corpo uma emoção extinta
E do desejo falo, sinto o tato e me calo


E desta luta que travo entre os papéis
Vejo que não deve haver princípio
Nestas lutas que consomem minhas manhãs
Vejo-me entorpecida numa torrente de versos modulares

Hei de ver por fim que há uma visão muda
Nesta invocação da poesia que teima
Em plantar algo fértil nos corações de pedra
E o meu sentimento é todo rosa.


Daniela carvalho

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