quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tardezinha em Copacabana

A perspectiva do olhar é muito diferente quando se é criança.Eu no alto dos meus oito anos ,enxergava as pessoas como grandes ou pequenas, gordas ou magras.

A minha infância tinha como pano de fundo as cores psicodélicas dos anos 80 , tudo era up , máximo do máximo , mistura de cores , acessórios . Vivíamos ainda o Brasil de Tancredo,da inflação exorbitante ,as mulheres não podiam votar ,os punks eram apenas caras que gostavam do Led Zepelin, não existia internet,computador ou celular, e as pessoas costumavam trocar casas por carros ( naquele tempo era Brasília e Fusca...),e os telefones residenciais eram patrimônios que equivaliam a valor de terrenos em locais descolados da cidade.

Eu gostava de coisas simples, como: assistir o programa da Xuxa,comer bolinho Ana Maria de baunilha ,usar bottons dos Menudos ,de meia caça com polaina, de ler os livros do Monteiro e das viagens de férias da escola em que viajávamos para a casa dos meus avós .

Os meus avós maternos eram um casal ,digamos que...curioso de se ver ,o meu avô da infância era alto ,quase um gigante de olhos azuis e cabelos grisalhos como dias nublados ; a minha avó , uma boneca de lábios pequenos pintados de vermelho e que usava só vestidos acinturados,sua marca registrada.

Eu adorava quando visitávamos o vô Candido e ele me levava para tomar sorvete em Copacabana.

Eu caminhava pelo calçadão coberto por aquele piso que para mim mais parecia uma dança sinuosa de ondas minimalistas , saltitando com as minhas sandálias de tiras cor de rosa .


Às vezes sentávamos em algum banquinho a beira da calçada e observávamos o mar e o vazio que existia dentro de nós. Outras vezes apenas caminhávamos em silêncio, eu absorta na presença que aquele homem causava em mim;e ele, quase sempre pensativo .
Eu sempre tive uma admiração sincera pelo meu avô , mais do que tive por qualquer pessoa que conheci depois.

Ele sorria, uma sorriso triste , as vezes melancólico e quase sempre o olhar dele parecia buscar alguma lembrança que estava ali, numa janela ou numa fachada . Era estranho ver a testa dele se enrugar, e por diversas vezes ,quando ele fechava os olhos, dizia que quase podia sentir a atmosfera dos seus tempos de criança. O meu avô era assim um homem sensível,encantador , gostava de usar chapéu panamá levemente inclinado sobre os olhos,enrolava seu próprios cigarros e falava de coisas e pessoas que o fascinaram. Ele era um homem do século passado. Acho que eu também sempre me senti assim.

Na volta eu observava pela janela do coletivo a paisagem que corria, e de olhos vidrados via o Rio de Janeiro que era gigante pra mim: o Copacabana Palace, o Leblon,a areia marfim, as moças de biquínis coloridos, os surfistas e a imensidão do mar...

Quando o Amor Atropela

A paixão passou por ela como um furacão, um milésimo de segundo de distração e boom! Piscou, o peito arfou , sentiu calafrios, perdeu o chão.

Olhar 43, de brinco na orelha esquerda, calça surrada e sorriso enviesado.

Lá estava ele a poucos metros.

E isso foi ha muito tempo, 1988.

Na prateleira de discos do Elvis, lá no antigo Sebo Atlântico na av. Guanabara.

Foi lá. Foi lá que ela foi atropelada, pelo anseio, pela dúvida; pelo amor trôpego, sôfrego.

Um expresso mais tarde e já estavam apaixonados.
Juntaram os discos, as escovas, o gosto pelo blues e por Copacabana.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Voltei!

Voltei para dizer que os ideais não morrem , quase sempre ficam apenas adormecidos... é esperar para ver...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Se essa rua fosse minha




Se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
Só pra ver, só pra ver meu bem passar
Nessa rua, nessa rua tem um bosque
Que se chama, que se chama solidão
Dentro dele, dentro dele mora um anjo
Que roubou, que roubou meu coração
Se eu roubei, se eu roubei teu coração
Tu roubaste, tu roubaste o meu também
Se eu roubei, se eu roubei teu coração
Foi porque, só porque te quero bem


Essa era a música que eu mais gostava... O estranho é que eu era uma menina tão melancólica quanto essa  música .

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Flor de mim

A minha flor nasce de palavras recolhidas
Na terra arada e revolvida com as mãos essa flor não tem nome
E será que virá a ser útil?


Do que me servirão
Estas palavras caídas que também evaporam?
E eu com a saia do vestido
Recolho o denso sangue que escorre destas palavras de fechadas pálpebras

Com a idéia fixa
Germinando idéias e bichos que saem do papel
Exala ainda do meu corpo uma emoção extinta
E do desejo falo, sinto o tato e me calo


E desta luta que travo entre os papéis
Vejo que não deve haver princípio
Nestas lutas que consomem minhas manhãs
Vejo-me entorpecida numa torrente de versos modulares

Hei de ver por fim que há uma visão muda
Nesta invocação da poesia que teima
Em plantar algo fértil nos corações de pedra
E o meu sentimento é todo rosa.


Daniela carvalho

Quase eu

Quase Eu - Margarida Marinho

Estranho tudo na maior parte das vezes : lugares que inesperadamente habito, as pessoas que os habitam,lugares a que chamamos lugares de férias, as pessoas que passam férias, as férias e tudo o mais. É sempre assim : há um tempo que estranho e outro que se lhe segue,que estranho. Muito. E preciso regressar a ela . Porque tenho saudades. Muitas. Porque ela me veste e afaga na maior parte das vezes, apesar da sua nudez.Apesar de sua mudez.

Eu gosto dela . Mesmo que mudasse de rua , de cidade. Mesmo sendo uma coisa .Que vale tanto quanto uma concha. E uma concha vale muito . Porque passa a vida a espera de água. Eu também . Ela não . Ela espera quieta e caiada. Por mim. E quando regresso, regresso a ela.


Ao seu íntimo . Que lhe dói quando lhe mexo e transformo. Pego num compasso e mudo-lhe os ângulos, quando mudo a cômoda , os sofás, trinta vezes ao ano, e até o roupeiro_ o ser mais avantajado da família , muda de paisagem umas quantas. Eu mudo-lhe a paisagem. Afinal de contas sou eu que viajo dentro dela . Eu e os meus.


Quando estou longe tenho comigo a chave, grande e prateada, que enrosco no umbigo da porta de entrada; o cheiro que se solta lá de dentro, daquelas entranhas de madeira, muita, o branco das paredes, nuas de quadros e de retratos ( sei lá porque nunca as vesti,gosto delas assim , também á espera de algo) e , finalmente, as janelas, meninas mais altas do que eu.enquadram-me bem quando vou ver quem passa . Ao todo são sete. Reparo agora:a minha casa tem muitos olhos.Que não tem pestanas. Corrijo: persianas. Nem cortinas. E isto entristece porque de fato, sem elas não vejo o vento, o ar que passa e ela inspira.


Quando subo os degraus das escadas que me elevam a outro canto da casa , adivinho a cama, a sala, o sofá e eu afundada no sofá . Descalça. Até que me levanto e toco com a planta dos pés nas palmas do chão, ora de madeira , ora de pedra. Que me aquece ou me arrepia entre a travessia dos quartos. E eu sinto-a quente ,fria ou mesmo cansada. Que ela também boceja, encolhe e braceja. Por causa do sol, da lua, e da terra, a família do meu planeta casa.Que me puxa e me agarra à pele da terra.


E foi isso que aconteceu sem eu saber como. Devagarinho tornou-se meu berço, o lugar que me centra e me endireita aos poucos, mesmo quando tombo. O lugar onde sempre é fácil cair porque o chfão também é feito de mim.

A minha casa.

Quase eu.

Ócio

ÓCIO.
Você acha que ócio é pecado? É nada!
Ele pode ser exatamente o que vai mudar a sua vida. Sabe porquê?
Porque você pode fazer , dos momentos de ócio , momentos muito importantes na sua vida, pois é, quando você está ocioso é que pode planejar o seu futuro.

Veja o seguinte :


1- Quando você  está trabalhando,está ocupado, portanto sem condições de pensar em você , ou trabalhar por você ,

2 -Quando está dormindo, idem ,


3- Quando está com outras pessoas, também, então, que tempo sobrou para você  pensar em si mesmo?

Os momentos em que está sozinho, sem nada para fazer,aproveite o ócio, ou melhor aprenda a usá-lo em seu  benefício.